O céu não é amarelo, é galinha

Sábado, 03 de Maio de 2008

Nobreza na Disciplina

Disciplina, bem como o amor, deve ampliar a dignidade pessoal.
Disciplina saudável deve estimular a auto-estima e ajudar a extrair o melhor de uma pessoa, cultivando sua soberania. Esta expressão de disciplina não compromete a disciplina, pelo contrário, encoraja-a e a amplia. (http://www.sedentario.org/…/sefirat-ha-omer-partes-2-e-3-5216/)

Há uns três meses, no final de janeiro, comecei a freqüentar uma academia. Não sei que força maior me fez ir todos os dias, com uma disciplina e uma disposição que eu não conhecia. Nunca gostei de exercícios físicos, e a única ocasião em que freqüentei uma academia por mais de um mês foi quando um amigo me deu uma caixa de chocolates pra fazer um plano trimestral.

Só nas duas últimas semanas é que mal freqüentei a tal academia, por conta da faculdade, que começou a me encher de provas – mas mostra de que pretendo continuar é ter feito agora um plano semestral.

Desde que começaram as aulas, contudo, sou obrigado a ir malhar bem cedinho, às 6h da manhã (até porque à noite chegaria esgotado da aula, sem ânimo para atividade física nenhuma). Descobri que gosto muito do período que antecede o nascer do sol. Sinto-me renovado e cheio de energia para o dia que vem à frente, e o nascer do sol é algo simplesmente mágico. Até simpatizo mais com o pessoal que vai malhar às 6: são também pessoas fora de forma, e vez em quando aparece algum velhinho (adoro pessoas velhinhas, mas isso é assunto para outro post). Em geral, ninguém sarado além da professora gostosa (mais uma razão para ir às 6h). O único inconveniente é a escassez de tempo, uma vez que sou obrigado a fazer toda a série de exercícios em menos de uma hora.

Alguns dias atrás, acho que há umas duas semanas, um amigo comentou que eu deveria parar de freqüentar a academia nesse horário, porque eu estava ficando muito mau-humorado. Eu, que vejo a mim mesmo como um modelo de estabilidade emocional: raramente pra baixo, quase sempre feliz, mas sem exaltações. Nenhuma outra pessoa havia me chamado a atenção para isso antes, nem a chamou depois, mas isso ficou na minha cabeça, e comecei a associar a algumas coisas que não estavam dando certo.

(mais…)

Quinta-feira, 01 de Maio de 2008

Amenidades

Hoje é um dia pra estar lá fora, ao ar livre, tendo uma conversa agradável com outra pessoa (qualquer outra). Em vez disso, estou aqui dentro procurando alguma coisa legal na televisão, e ainda por cima com a cortina fechada.

Nem adianta chamar amigos pra sair, estão todos ocupados demais com seus livros, códigos e cadernos, preocupados com a faculdade. O único que eu sabia que iria aceitar acabou, de fato, aceitando, mas no fim das contas não certo, e eu acabo ficando trancado sozinho dentro de casa.

O problema não é nem exatamente ficar sozinho: já aprendi há um bom tempo a aproveitar minha própria companhia. O problema é ficar assim o dia todo (em geral, nos fins de semana, acabo ficando sozinho em casa nonstop), até porque eu posso acabar me tornando uma companhia bem chata.

Não quero ler nada, não quero assistir nada. Quero só ter uma conversa amena com alguém, de preferência lá fora, antes que o sol se ponha. Droga de inépcia social.

Só pra completar o clima semi-deprê, a música que tenho ouvido direito:

Sábado, 26 de Abril de 2008

À moda antiga

Arquivado em: nadaver — Sávio @ 21:16
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Depois desta última semana, passei a odiar a família moderna e me tornei um defensor ferrenho do casamento à moda antiga. Casou, é pra sempre. Não separa nem divorcia. Nada de regime nem partilha de bens. Cansou da mulher ou do marido? Sifudeu, otário. Pode até ir morar longe, mas continua casado e sem direito a nada. Também não tem guarda de filho nem alimentos. Cada um que se vire.

Também não tem essa de união estável, que é um saco. Querem juntar as escovas de dentes? Fiquem à vontade, mas pra ter direito a alguma coisa tem que casar. Nada de união estável nem casamento putativos, também, nem de anulação de nenhum dos dois. Não sabia que o marido era estuprador reincidente, fia? Vai pro Ministério Público, dá a notícia crime e vê se consegue enfiar o infeliz na cadeia, porque descasar você não vai. Casou com uma menina que só depois descobriu ser sua irmã adotada por outra família aos dois anos de idade? Danou-se, meu caro, já tá casado. E trate de cuidar bem das aberraçõezinhas que vão nascer!

Não sabia que o marido ou esposa gostava da mesma fruta que você? Que viva infeliz, ora porra! Quem mandou não procurar saber com quem casou?

Pulou a cerca e fez um bebê? Pouco importa, o pequeno bastardo não vai ter direito à nada.

Quem quiser viver na safadeza fique à vontade, mas casar, descasar e fazer união estável não pode. Chega de depravação. Pelo retorno do casamento à antiga, que esse mundo moderno é uma bagunça e uma sem-vergonhice sem fim.

E daí você pergunta o porquê de toda essa revolta: minha semana teria sido bem mais simples, e eu não teria me ferrado na prova de Direito de Família.

Sexta-Feira, 25 de Abril de 2008

Curtas

Ontem encontrei a descrição perfeita (ou quase) para meu estado atual. É uma expressão que eu já conhecia, mas ainda não tinha me ocorrido: feelin’ the blues. Aquela tristeza levinha e duradoura, melancólica, que não lhe impede de ser feliz e sorrir.

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O blog é bem novinho, mas já começa a atrair visistantes esquisitos. São paraquedistas que chegam aqui em busca de coisas como galinha do ceu, “modificação genética” é pecado, galinha sete, monografia direito, notas+sete+dias+pecados. Gosto especialmente da tal galinha do céu, parece bem psicodélico.

Definitivamente, essa é a melhor parte de ter um blog.

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Estou postando do meio da aula de Terrorismo. Redes wireless abertas são o que há.

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Estou com tanto sono acumulado que só conseguir ir à academia uma única vez, esta semana. Acho que peguei o jeito disso de malhar, porque está fazendo falta.

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Vou me mudar em julho, e preciso de um apartamento o quanto antes. Um quarto, só. Com aluguel de até setecentos reais mensais (absurdo pra outras cidades mas barato pra Brasília, vai entender). De preferência na 407 norte. Agradecido.

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E, já que vou me mudar, preciso comprar praticamente tudo, dos porta-condimentos à geladeira. Do pote de açúcar ao fogão. Além da decoração. Agradeço a quem me der posters e quadros de filmes e artistas das antigas, dos anos 70 pra trás. Um da Marilyn é obrigatório.

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Eu preciso de férias. Mas, afinal, isso é novidade?

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Nada incomum, nada novo

Arquivado em: umbigo — Sávio @ 23:28
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Não há nada acontecendo em minha vida.

Ou, para não soar tão pessimista, reducionista e derrotista, não há nada de interessante, nada de notável. Como diziam os anglófilos, nothing remarkable going on. Nem mesmo as pequenas coisas que costumam fazer o dia-a-dia valer a pena.

Os dias têm passado todos como uma sucessão interminável de coisas maçantes. São poucas as ocasiões que merecem destaque. Claro, fui a dois aniversários neste fim de semana, os dois muito bons (embora eu tenha ficado, em ambos, mais tempo do que meu organismo me permitia). Vi também uns filmes memoráveis. São acontecimentos que com certeza merecem ser lembrados, e renderam histórias a serem contadas mais à frente, mas no grande esquema atual das coisas acabam fazendo bem pouca diferença.

Voltando para casa depois da faculdade, o amigo que me dava carona perguntou o que estava acontecendo com minha vida, já que eu estava tão para baixo, tão estranho ultimamente. Pus a culpa na vida, no universo e em tudo mais, e fiquei calado por quase todo o restante do percurso. Chegando em casa, parei pra pensar um pouco melhor e cheguei à conclusão de que o problema na verdade é não estar acontecendo nada – ou pelo menos nada notável.

Todo dia, acordo às 5h00 da manhã para ir à academia. Praticamente todo dia, tenho aula na faculdade às 8h00. Todo dia, tenho estágio à tarde, seja o remunerado, seja o obrigatório do curso. Três vezes na semana tenho aulas à noite, sendo dois dias até as 22h30. Isso tudo sem passar em casa nem mesmo para tomar um banho. E, quando finalmente chega o final da semana, as pessoas costumam preferir ficar em casa estudando a sair para se divertir, ou, quando preferem a segunda opção, raramente aceitam meu convite, porque já tinham combinado com outros amigos. Tem como permanecer alegre e satisfeito assim?

(Até tem, mas ainda não cheguei a esse ponto de iluminação espiritual, mesmo sendo escorpiano com ascendente em Capricórnio, um sobrevivente de intempéries por excelência).

Sim, é deprimente, mas daqui a pouco eu saio dessa. Se alguém quiser me ajudar, melhor.

Sábado, 19 de Abril de 2008

Em busca de uma monografia

Arquivado em: umbigo — Sávio @ 18:21
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Tem mais ou menos uma semana que decidi fazer minha monografia de final de curso sobre direito e cinema. Sim, ainda estou no sétimo semestre e faltam uns dois anos pra me formar, mas preciso entregar um pré-projeto daqui a duas segundas-feiras. Já até falei com um professor que aceitou me orientar, mas ainda tem um problema crucial por resolver: trabalhar com qual filme?

Um antigo ou recente? Nacional ou estrangeiro? Que já conheço ou que nunca vi? São questões cruciais. No primeiro caso, vou buscar uma perspectiva mias histórica ou uma contemporânea? No segundo, algo do direito brasileiro ou um tema universal? A terceira pergunta é só por questões de gosto pessoal, mesmo.

Já me passaram pela cabeça vários filmes e diretores. Stanley Kubrick. Laranja Mecânica. Lolita. De Olhos Bem Fechados. Ingmar Bergman. O Sétimo Selo. Morangos Silvestres. A Fonte da Donzela. Charles Chaplin. Tempos Modernos. O Garoto. Luzes da Cidade. O Grande Ditador. Milos Froman. Hair. A Trilogia das Cores. Um Estranho no Ninho. Monty Python. Em Busca do Cálice Sagrado. A Vida de Brian. O Sentido da Vida. E dezenas de outros, sem que eu consiga me decidir. Até Os Sonhadores: cinema, sexo e política, uma bela de uma combinação.

Fui na comunidade do orkut Filmes Antigos e postei um tópico pedindo sugestões. Passei numa locadora e peguei cinco filmes (embora um deles eu já tenha visto, continua valendo). Pessoas desconhecidas, semi-desconhecidas, que não falam comigo há algum tempo, com quem tenho contato freqüente, enfim, qualquer um: essa é a hora de dar pitaco na minha vida sem se constranger. Pelo contrário, eu até agradeço a quem o fizer. É algo que vai ocupar minha vida até o final do ano que vem, e que preciso resolver em dez dias. (Tá, é só o pré-projeto. Certamente irá mudar, mas não gostaria de mudar o tema. Não depois que já arrumei até orientador).

No fim das contas, acho que a solução vai ser falar com ele. Aguardemos pelo próximo capítulo.

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